Eugênia Sereno é o pseudônimo de Benedicta Pereira de Rezende Graciotti (1913–1981), escritora, professora e pianista nascida em São Bento do Sapucaí. Descendente de uma das famílias fundadoras da cidade, ela dedicou parte de sua vida ao ensino na zona rural da Mantiqueira, onde o contato direto com as tradições populares tornou-se a principal inspiração para sua obra.
Considerada uma das vozes mais importantes da literatura brasileira do século XX, Eugênia é reconhecida como uma intérprete da alma do Brasil profundo. Sua escrita é frequentemente comparada por estudiosos à prosa de Guimarães Rosa, tamanha a sensibilidade poética e o valor documental com que retratou os costumes e a riqueza humana das pequenas cidades.
A FLIPES, Uma Festa para Eugênia, é hoje a maior e mais antiga homenagem que a escritora recebe em sua terra natal — preservando seu legado para as novas gerações.
Publicado em 1965, o romance é referenciado como uma verdadeira enciclopédia dos costumes dos interiores profundos. A obra transformou as paisagens, a religiosidade e a oralidade da Serra da Mantiqueira e do Vale do Paraíba em matéria literária de projeção nacional. Mais do que ficção, o livro é um documento simbólico sobre a identidade cultural regional.
A obra alcançou consagração máxima ao vencer o Prêmio Jabuti de Autora Revelação em 1966. Até hoje o livro é objeto de estudos acadêmicos e inspira diversas intervenções artísticas no festival — como o sarau Vinde a Nós, os Pirilampos
“…onde vive um povo que não muda de vida, cuja felicidade melancólica deriva entre a Missa, o Arroz-doce, entre a Igreja, os Festejos, o Cemitério, o Chafariz e as Dores de um sino…”