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São Bento do Sapucaí reúne natureza, cultura e literatura

A cidade da FLIPES oferece literatura, cultura popular, artesanato, ruelas, ladeiras e muita arte em uma cidade nas maiores áreas de preservação ambiental da Serra da Mantiqueira

A cidade que festeja a literatura da escritora Eugênia Sereno, ganhadora do Prêmio Jabuti em 1966 com seu romance sobre as ambiências de nosso interior profundo, oportuniza  a vivência com o cotidiano rural e as delicadezas das cidades pequenas. Por isso, quem visitar a FLIPES, em São Bento do Sapucaí (a 190 km da capital paulista), vai encontrar cenários bucólicos apresentados nos livros de Guimarães Rosa, Rachel de Queiroz, Itamar Viera Jr, Cora Coralina, Socorro Acioli, Manoel de Barros, e, claro, na Obra de Eugênia Sereno.

Nestes lugares literários, vale a pena conhecer os casarões, as praças com sorveterias, comida de fogão a lenha, ouvir o badalar do sino que anuncia os eventos de vida e morte, além de aproveitar as caminhadas por ruas cuidadas e arborizadas com um céu de lua e estrelas. Do pio da coruja na noite estrelada à abundância de sons de pássaros, os visitantes podem desfrutar de riachos, lagos, cachoeiras e montanhas, com destaque para o complexo da Pedra do Baú – a atração que a vizinha Campos do Jordão pegou emprestada, mas que pertence ao município de São Bento. 

A paisagem natural é o destino de praticantes de esportes radicais, com percursos de trekking e trail running reconhecidos nacional e internacionalmente nas provas do Indomit Pedra do Baú. Em 2020, São Bento foi eleita pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo como a capital dos esportes radicais. O município ainda ostenta, pelo quarto ano consecutivo, a certificação do programa Selo Verde e Azul – uma iniciativa do governo estadual criada em 2007, que premia prefeituras por boa gestão ambiental, com o 3º lugar no ranking de desenvolvimento rural sustentável.

Mas, o que dá a São Bento do Sapucaí um charme exclusivo é a cultura regional. Desde o sorridente -”Bom dia” dos moradores até a cordialidade para ensinar como chegar aos pontos turísticos, a hospitalidade dos sambentistas é um antídoto contra o estresse de quem vem das grandes metrópoles. 

A arte e o artesanato, cujas raízes vêm da tradição quilombola local, são outras surpresas para os turistas. O uso da palha de bambu, milho e fibra de bananeira como matérias-primas se misturam às peças dos ateliês que também oferecem pinturas em tecido, cerâmica e esculturas em madeira, com destaque para as peças do artesão Benedito da Silva Santos, conhecido como Ditinho Joana, o mais célebre da cidade, nascido em 1945 no bairro do Quilombo. Ex-lavrador, ele passou da enxada para a goiva, criando esculturas de jacarandá que retratam a vida rural brasileira. 

São Bento é a única cidade do Vale que preserva a tradição da Folia de Reis Luz de Belém, criada na própria cidade, coordenada pelo Mestre Fábio Miguel, e prestigiada com a entrega do Bolo de Reis, pela também boleira de Reis Vanderléia Barboza. Foi ela que idealizou a FLIPES, acreditando que a festa pudesse dialogar com a sustentabilidade ambiental na Serra da Mantiqueira, sendo a cultura a ferramenta de transformação social e preservação socioambiental dos territórios. 

“Por meio de ações que integram literatura, arte, educação ambiental, debates sobre meio ambiente, economia sustentável e saberes tradicionais, a FLIPES estimula reflexões sobre a relação entre cultura e natureza. Nesse contexto, a leitura é compreendida como um ato político de consciência, pertencimento e valorização dos biomas brasileiros, contribuindo para a formação de cidadãos comprometidos com a preservação ambiental e o desenvolvimento sustentável da região”, explica Vanderléia, que é artista, educadora e gestora cultural.

A cidade que respira literatura – São Bento do Sapucaí é um dos poucos municípios a manter uma Biblioteca Comunitária, com o nome de Eugênia Sereno, localizada no Casarão da Memória, feito de pau a pique (1830), no Largo da Matriz. Ponto de cultura imperdível, ela permanece aberta para a comunidade de domingo a domingo com atividades literárias e culturais, diversos gêneros de livros à disposição e ambientes que, de tão acolhedores, fazem seus frequentadores se sentirem como se estivessem na casa da avó, com café coado, boas histórias, muita prosa e uma dose generosa de afeto. 

Além da FLIPES (Festa Literária do Interior Paulista Eugênia Sereno), outras festas tradicionais ocorrem em São Bento ao longo do ano, como o “Inverno na Serra”, a Festa do Agricultor, em agosto, e o Carnaval “Tem Folia na Montanha”, com o Bloco do Zé Pereira que, há mais de 100 anos, desfila um mês antes do Carnaval pelas ruas da cidade, com seus bonecos gigantes de papel-machê — hoje patrimônio cultural imaterial da cidade. Em junho, acontece o “Arraiá do Nhô Bento e Festival da Viola” para celebrar a cultura caipira da região. 

A cidade tem museus regionais e ateliês de artistas têxteis, ceramistas, marchetaria, a exemplo das artesãs da Arteben e da Casa do Artesão, localizada no Mercado Municipal – principal vitrine do artesanato em São Bento do Sapucaí.

Entre bonecos, fogueiras, festas literárias e a fé traduzida em festejos mensais, São Bento do Sapucaí revela um jeito próprio de receber seus visitantes, sem pressa e com uma identidade que atravessa gerações. A combinação de natureza, tradição viva estão presentes nas frases literárias das capelinhas de mosaico e na Ladeira dos Pirilampos. É a cidade da cultura popular com suas noites de Catira, Congada, Folia de Reis, Contações de histórias, seus estandartes bordados e memórias guardadas, mas presentes na vida cotidiana dos seus moradores.

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